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Ozempic e Mounjaro: como cuidar da massa muscular

Durante o emagrecimento com semaglutida ou tirzepatida, pode haver redução de gordura e de massa magra. Isso não equivale, sozinho, a perder músculo ou ter sarcopenia. Alimentação, atividade física adaptada e acompanhamento ajudam a cuidar da força e da função, sem garantir preservação muscular.

Faz parte do guia Obesidade, GLP-1 e composição corporal

Dr. Vinícius LuzardiDr. Vinícius LuzardiCRMSP 265830Terapias Hormonais & Performance.
Emagrecimento e Performance
Ozempic e Mounjaro: como cuidar da massa muscular
Capa do artigo Ozempic e Mounjaro: como cuidar da massa muscular

Em resumo

  • Massa magra no DXA não equivale a músculo esquelético isolado
  • Diagnóstico de sarcopenia exige avaliação de força e quantidade ou qualidade muscular
  • Treino e alimentação integram cuidado adaptado à capacidade e ao contexto clínico
  • Acompanhamento avalia peso, ingestão, tolerabilidade, força e função

A balança desceu. E subir uma escada, carregar compras ou fazer o treino habitual: ficou mais fácil ou mais difícil? Essa conversa vale mais do que julgar o corpo pelo espelho.


Semaglutida, presente em Ozempic e Wegovy, e tirzepatida, presente em Mounjaro, são ferramentas médicas. A decisão de usar depende da indicação e da avaliação individual. Cuidar da alimentação e do movimento faz parte do tratamento, com um plano possível para a pessoa que você é hoje.


Peso, massa magra e músculo são coisas diferentes


Peso reúne gordura, músculos, água, ossos e outros tecidos. No DXA, exame usado nos subestudos abaixo, a massa magra inclui água, órgãos e outros tecidos não gordurosos, além do músculo. Ela não é uma medida isolada de músculo esquelético.


Músculo esquelético participa do movimento; força e função mostram o que você consegue fazer. Uma queda na massa magra não informa, sozinha, quanto músculo foi perdido nem se houve dificuldade nas atividades diárias.


Sarcopenia também não é sinônimo de emagrecimento. No consenso europeu EWGSOP2, a baixa força levanta a suspeita, e a avaliação de quantidade ou qualidade muscular confirma o diagnóstico. O desempenho físico ajuda a classificar a gravidade. Não se conclui isso pela balança, por uma foto ou por um número isolado de composição corporal.


O que STEP 1 e SURMOUNT-1 realmente mostram


Na análise exploratória de composição corporal do STEP 1, 140 adultos com sobrepeso ou obesidade, sem diabetes, foram avaliados por DXA em um ensaio de 68 semanas. Com semaglutida, houve redução de gordura e de massa magra; a proporção de massa magra no peso total aumentou porque a gordura caiu mais.


Essa fonte é um resumo de congresso publicado no suplemento ENDO 2021, com detalhamento limitado. Não é um estudo que mediu diretamente perda de músculo ou força, nem permite prever quanto cada pessoa perderá. Também não é uma comparação entre marcas comerciais.


O subestudo DXA do SURMOUNT-1 analisou 160 adultos com obesidade ou sobrepeso e complicação relacionada ao peso, sem diabetes tipo 2, durante 72 semanas. Eram 124 no grupo tirzepatida e 36 no placebo; 73% eram mulheres, com idade média de 46 anos. Ambos receberam orientação de alimentação e atividade física.


Aproximadamente 75% do peso perdido correspondeu a gordura e 25% a massa magra, tanto com tirzepatida quanto com placebo. Isso não significa perder 25% dos músculos: a proporção se refere ao peso perdido. Como a perda de peso foi maior com tirzepatida, proporções semelhantes também não significam a mesma quantidade perdida em quilos. O subestudo não mediu diretamente força muscular.


A errata do SURMOUNT-1 publicada em agosto de 2025 corrige a unidade dos eixos da Figura 4: quilogramas, em lugar de porcentagem. A correção é dos rótulos da figura, não dos percentuais acima. Nenhum desses dados autoriza chamar todo emagrecimento com caneta de sarcopenia.


Treino e alimentação precisam caber na sua realidade


Treino resistido e alimentação adequada podem ajudar a limitar a perda de massa magra durante o emagrecimento. Isso não exige começar treinando pesado. Dor, limitação de movimento, condicionamento, acesso e rotina orientam a adaptação e a progressão com a equipe.


Em um ensaio de seis meses com 160 adultos de 65 anos ou mais, com obesidade, associar dieta e exercício resistido, sozinho ou combinado ao aeróbico, preservou mais massa magra do que dieta com aeróbico. O treino combinado trouxe maior melhora funcional. Era uma população específica, com fragilidade leve a moderada, sem teste de semaglutida ou tirzepatida; não é garantia de resultado para todo usuário de caneta.


O consenso de quatro sociedades sobre nutrição durante o uso de GLP-1 recomenda atenção à ingestão, aos sintomas digestivos e ao exercício adaptado. A orientação inclui proteína suficiente no contexto da alimentação; não uma meta universal nem suplemento obrigatório.


Se o apetite diminuiu a ponto de dificultar refeições, isso precisa entrar na avaliação. E não é necessário conquistar uma rotina perfeita para merecer tratamento indicado: o cuidado pode ser construído junto, considerando barreiras e tolerabilidade. Acompanhamento ajuda a ajustar o plano, mas não promete preservar todo o músculo.


Checklist curto para levar à consulta


Peso: leve a evolução com datas, incluindo mudanças rápidas ou inesperadas.


Força e função: conte se o treino habitual, levantar da cadeira, subir escadas ou carregar compras ficou mais difícil.


Alimentação: descreva um dia típico, refeições que deixou de fazer e alimentos que consegue tolerar.


Tolerabilidade: anote náusea, vômitos, diarreia ou constipação e como atrapalham comer e beber.


Sintomas: registre fraqueza, tontura, quedas e quando começaram, junto dos medicamentos em uso.


Essas observações organizam a conversa; não fecham diagnóstico. Sintomas intensos, vômitos persistentes ou dificuldade para manter líquidos merecem atendimento sem esperar o retorno de rotina. Não ajuste nem interrompa a medicação por conta própria.


Como continuar a avaliação


Se a dúvida é a volta do apetite, leia sobre fome durante o uso de semaglutida. A sensação de fome e a evolução do peso não contam necessariamente a mesma história.


A calculadora de gasto energético e macros oferece estimativas para organizar perguntas sobre alimentação. O resultado não prescreve dieta nem decide quanto você precisa comer durante o tratamento. Para conhecer o contexto do atendimento, veja minha abordagem clínica.


O foco é acompanhar saúde, força e autonomia durante a perda de peso. Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação individual.


Referências conferidas nesta revisão


STEP 1: Wilding JPH, Batterham RL, Calanna S e colaboradores. Impact of Semaglutide on Body Composition in Adults With Overweight or Obesity: Exploratory Analysis of the STEP 1 Study. J Endocr Soc, 2021;5(Suppl 1):A16–A17. Resumo de congresso ENDO 2021; DOI 10.1210/jendso/bvab048.030; PMCID PMC8089287.


SURMOUNT-1: Look M e colaboradores. Subestudo de composição corporal durante a redução de peso com tirzepatida. Diabetes Obes Metab, 2025;27:2720–2729. PMID 39996356; DOI 10.1111/dom.16275. Errata da Figura 4: PMID 40832789; DOI 10.1111/dom.70050.


Exercício em idosos: Villareal DT e colaboradores. Aerobic or Resistance Exercise, or Both, in Dieting Obese Older Adults. N Engl J Med, 2017;376:1943–1955. PMID 28514618; DOI 10.1056/NEJMoa1616338.


Sarcopenia: Cruz-Jentoft AJ e colaboradores. Consenso EWGSOP2 sobre definição e diagnóstico. Age Ageing, 2019;48:16–31. DOI 10.1093/ageing/afy169.


Nutrição e GLP-1: Mozaffarian D e colaboradores. Orientação conjunta de sociedades de nutrição, medicina do estilo de vida e obesidade. Obes Pillars, 2025;15:100181. DOI 10.1016/j.obpill.2025.100181.

Perguntas Frequentes

Preciso fazer DXA antes de começar o tratamento?

Não é uma exigência universal. A necessidade de avaliar composição corporal depende da idade, das condições clínicas, da evolução do peso e de sinais de perda de força ou função. O exame, quando indicado, complementa a avaliação; não mede sozinho a saúde muscular.

Suplemento de proteína resolve a perda muscular?

Não há garantia. Suplemento pode ajudar quando a alimentação não atende às necessidades, mas não substitui refeições adequadas, atividade física adaptada nem a investigação de sintomas. A quantidade e a necessidade de suplementar devem ser individualizadas.

Se eu estiver mais fraco, devo parar a caneta?

Fraqueza nova ou persistente merece avaliação e pode ter diferentes causas. Relate quando começou, o que mudou na alimentação e quais tarefas ficaram difíceis. Não interrompa nem ajuste o medicamento por conta própria; sintomas intensos ou dificuldade para beber líquidos pedem atendimento sem esperar a consulta de rotina.

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Use esta sequência para sair do “caneta ou não caneta” e entrar em composição corporal monitorada: organize a resposta curta, calcule um ponto inicial de calorias e proteína, e observe sintomas antes da avaliação.

Aviso: A calculadora é ponto de partida. Preservar massa magra exige monitorar força, medidas, proteína, sono, adesão e evolução clínica, não só a balança.

Aviso importante: Conteúdo educativo. Não substitui consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.

A prevenção não pode esperar

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