Será mesmo que a reposição hormonal aumenta o risco de ter infarto?

Descubra a verdade por trás dos mitos sobre reposição hormonal e saúde cardiovascular.

Por Dr. Vinícius LuzardiHormônios e Coração
Será mesmo que a reposição hormonal aumenta o risco de ter infarto?
Capa do artigo Será mesmo que a reposição hormonal aumenta o risco de ter infarto?

O TRAVERSE avaliou gel transdérmico de testosterona em homens de 45 a 80 anos com hipogonadismo confirmado e doença cardiovascular prévia ou alto risco. O achado ajuda a discutir segurança cardiovascular nessa população, sem dispensar indicação e monitoramento.

Em resumo

  • TRAVERSE avaliou gel transdérmico em homens com hipogonadismo e risco cardiovascular selecionado
  • TRAVERSE não encontrou aumento MACE no grupo testosterona versus placebo nessa população
  • Segurança individual da TRT depende de indicação, via, dose, exames e monitoramento longitudinal

O TRAVERSE é um dos estudos mais importantes para discutir testosterona e coração. Ele ajuda a sair do medo genérico, mas não transforma testosterona em produto livre de contexto.


O ensaio avaliou homens de 45 a 80 anos, com sintomas de hipogonadismo, duas testosteronas em jejum abaixo de 300 ng/dL e doença cardiovascular prévia ou alto risco cardiovascular.


O que o TRAVERSE estudou


  • 5.246 homens com hipogonadismo confirmado e risco cardiovascular selecionado
  • Gel transdérmico de testosterona 1,62%, ajustado para manter testosterona em faixa fisiológica
  • Comparação com gel placebo, em estudo randomizado, duplo-cego e de não inferioridade
  • Seguimento médio de 33 meses, com desfecho principal de morte cardiovascular, infarto não fatal ou AVC não fatal

  • O que permite dizer


  • Na população estudada, a TRT transdérmica foi não inferior ao placebo para eventos cardiovasculares maiores
  • O resultado enfraquece a frase "testosterona sempre causa infarto" quando há indicação real e monitoramento
  • A decisão pode ser discutida com mais precisão em homens com hipogonadismo, sintomas e risco cardiovascular mapeado
  • O achado conversa com diretrizes e posicionamentos recentes que defendem seleção adequada e acompanhamento regular

  • O que não permite dizer


  • Não prova segurança para homem sem hipogonadismo confirmado
  • Não autoriza dose suprafisiológica, ciclo estético, blast and cruise ou automedicação
  • Não responde por todas as vias, marcas, formulações manipuladas ou produtos de procedência incerta
  • Não elimina a necessidade de observar hematócrito, pressão, lipídios, glicemia, PSA, sintomas e eventos adversos

  • Não extrapolar para


  • Uso recreativo ou subterrâneo de anabolizantes
  • Homens jovens sem deficiência hormonal documentada
  • Pacientes com apneia grave sem tratamento, policitemia, trombofilia ou risco instável sem avaliação
  • Prescrição baseada só em desejo de performance, sem sintomas, exame repetido e diagnóstico

  • Por que importa na prática


    O TRAVERSE troca pânico por método. A pergunta deixa de ser "testosterona infarta?" e passa a ser "este paciente parece com a população estudada, usando via e dose comparáveis, com monitoramento suficiente?".


    O próprio estudo observou maior incidência de fibrilação atrial, lesão renal aguda e embolia pulmonar no grupo testosterona. Isso reforça vigilância, não medo automático nem liberação automática.


    Conclusão


    A TRT pode ter perfil cardiovascular aceitável em pacientes selecionados, com hipogonadismo confirmado, dose fisiológica, via estudada e acompanhamento. Fora disso, o TRAVERSE não carimba segurança individual.


    Referências


  • Lincoff AM et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy. *N Engl J Med.* 2023;389:107-117. doi:10.1056/NEJMoa2215025.
  • Bhasin S et al. Effects of long-term testosterone treatment on cardiovascular outcomes in men with hypogonadism: Rationale and design of the TRAVERSE study. *Am Heart J.* 2022;245:41-50. doi:10.1016/j.ahj.2021.11.016.
  • Zitzmann M et al. Cardiovascular safety of testosterone therapy - Insights from the TRAVERSE trial and beyond. *Andrology.* 2026;14(1):294-302. doi:10.1111/andr.70062.
  • Perguntas Frequentes

    Reposição de testosterona aumenta o risco de infarto?

    No TRAVERSE, homens de 45 a 80 anos com hipogonadismo confirmado e doença cardiovascular prévia ou alto risco usaram gel transdérmico de testosterona ou placebo. Nessa população, não houve aumento de MACE versus placebo.

    O que o estudo TRAVERSE concluiu sobre testosterona e coração?

    O estudo mostrou não inferioridade para eventos cardiovasculares maiores em seguimento médio de 33 meses. Isso não vale como liberação para automedicação, dose suprafisiológica, outro perfil de paciente ou ausência de monitoramento.

    Reposição hormonal é segura para o coração?

    A evidência é mais tranquilizadora para pacientes selecionados do que o medo genérico sugere. Segurança individual ainda depende de hematócrito, lipídios, glicemia, pressão, PSA, sintomas, via, dose e acompanhamento.

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    Use esta sequência para organizar o risco antes de qualquer conclusão pessoal: comece pela resposta curta e aprofunde a leitura hormonal.

    Aviso: O TRAVERSE ajuda a interpretar risco em população estudada; ele não carimba segurança individual. Monitoramento e contexto clínico continuam obrigatórios.

    Aviso importante: Conteúdo educativo. Não substitui consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.

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